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Dois meses se passaram, e a saudade ainda corroia minha vida; a saudade que sentia do Junior era imensa, se ao menos eu pudessem ouvir a sua voz, sei que ñ seria a mesma coisa de esta perto, mas amenizaria um pouco mais meu sofrimento. Ele se fazia presente, e rondando em minha mente como fantasma, muitas vezes me via distraído, navegando nas lembranças que o tempo deixou para trás. Tinha o máximo controle para que em nenhum momento isso pudessem afetar o meu trabalho, era competente em tudo que fazia, isso gerou alguns elogios, vindo de seu Beto e do secretario César. O Ginaldo ñ suportando essa hipótese, começou a armar contra mim dentro da fazenda, uns dos meus documentos foram sabotado por ele. O controle que fazíamos era anotado em um documento chamado “Ramaneio”, anotávamos o código de barra, o peso e a qualidade. Um desses documentos apareceu com o código e o peso errado, e as folhas continha minha assinatura. Assinávamos para identificar quem estava no processo. No dia seguinte fui chamado no escritório. O César já me esperava com os documentos nas mãos.
-Rapazinho, esta acontecendo algo com vc...Estou surpreso que e a primeira folha que vc erra.
-Desculpas César, prestarei mais atenção da próxima vez.
-Tudo bem, e só vc analisar o ramaneio duas vezes...Assim evitara erros, porque esses documentos irão para exterior...Por isso termos que ter o Maximo de cuidado.
-Ficarei mais atento.
Deve estar com saudades da família.
-Nem te conto cara o quanto.
-Porque vc ñ aproveita, a ida de seu Beto a sua cidade...E escreva algo para eles.
-Serio cara? Quando ele vai?
-Estar de partida amanhã, pela manhã...E retornara de hoje há oito dias.
-Obrigado César.
-Tudo bem, só tenha mais atenção quando for anotar os documentos.
-Pode deixar cara.
Junto com a carta que vai para minha família, estava indo uma lacrada para o Junior, em nenhum momento tive medo de enviá-la, sei que jamais será violada por eles, a não ser pelo próprio destinatário. Minha mãe o avisara pelo telefone. Ao escrever a carta meus sentimentos estavam fluindo pelos poros, me entreguei de corpo e alma a aquelas linhas.
Meu amor.
Quero falar-lhe e não sei o que dizer em meu afastamento! Que me sinto acorrentado às horas, como prisioneiro infeliz, contando-as, minuto a minuto, à espera do momento de solidão. Longe dos homens e das coisas, para aproximar-me de você...? Que a vida para mim é vazia e sem sentido, como um fantasma errante... Que essa distância, tirando-a de mim, é um martírio tremendo, ao qual não sei por quanto tempo resistirei...?
Não sei o que lhe diga; como lastime a tristeza que me invade; como chore o tempo que estivemos juntos; como desejo estar perto de você! Vou dizer-lhe principalmente isto: te amo muito, À distância, esta saudade enorme vai tecendo o fio de sua presença a meu lado e já vejo comigo, a todo o momento, uns olhos tristes que me disseram adeus chorando, a boca linda que me beijava tanto, o corpo voluptuoso que me ensinou a pecar, a voz serena em que se apoiavam minhas palavras apaixonadas e os braços macios que me abraçavam com força!, para saber que esta tristeza que me aflige agora tem uma razão de ser, pois você de fato existe e me ama também muito!
Responda-me depressa, mande-me um pouco de você, pois assim talvez alivie um pouco a tortura.
Já não suporto de tanta saudade!
Seu sempre Eddy. texto
Escrito por Eddy Karter às 18h30
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texto
Escrito por Eddy Karter às 18h34
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Meus pensamentos não tinham outra direção, se fazia presente a todo os instantes, os seus olhos me pedindo para ficar, ainda existia em minhas mãos o seu cheiro, parecia loucura mais o que fazer em um momento como este? Quando a dor embarga no peito e a saudade vem para ficar. E quando a noite cai, pela janela do ônibus milhares de estrelas ofuscavam os meus olhares. Exausto adormeço, e em meu subconsciente desperto. O ônibus parado a beira da pista, parecia estar quebrado, o silencio que se fazia presente era imenso, pois estava sozinho e não havia mais ninguém, com umas das mãos esfrego a janela embasada pela nebulosidade do tempo, vejo um rapaz muito bonito de cabelos um pouco cumprido e de cavanhaque após perceber que eu o analisava pela janela, ele anda em minha direção e ao chegar próximo, ele sorri, a nevoa que pairou sobre ele o fez desaparecer, a sensação era, que ali dentro do ônibus eu não estava mais sozinho, como um raio de segundo ele aparece ao meu lado, e naquele impacto desperto assustado, já era 5:30 da manhã. O ônibus realmente se encontrava parado, a caixa de macha tinha quebrado.Embora a situação que já se encontrava sobre controle, aproveitamos a parada para tomar um cafezinho, e em poucos segundo chega o ônibus substituto, fizemos a troca de bagagem e continuamos a nossa viagem. Numa pequena fabrica construída em uma enorme fazenda paramos, aqui começava uma grande aventura, após retirar minha bagagem, reencontro um grade amigo de colégio, que já trabalhava no local há alguns dias.
-Wandersom!
-Seu Beto, me disse que viria...Quase ñ acreditei cara.
-As dificuldades da vida meu amigo, nos fazem mudar às vezes de atitude.
-Eu e o que o diga, acabei de casar e minha esposa esta grávida de 4 meses.
-Pocha cara, que rapidez heim! !
-E a vida meu amigo.
-Me ajude com a bagagem, e me conta como isto aconteceu. texto
Escrito por Eddy Karter às 17h57
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Após um longo papo, ele me mostra toda a fabrica. Mesmo tendo o Wandersom como um grande amigo, as primeiras semanas foram difícil para mim, diria ate que sufocantes, a presença estagnada do olhar perdido não saia da minha mente, parecia mais um garoto abandonado, ficava horas desatento preso às lembranças do meu amor e daquela historia fantástica. Ainda não tinha afinidade com ninguém e nem tão pouco animo para me aproximar deles, o único companheiro era o Wandersom, que conversava pelos cotovelos e sempre estava por perto, todos me achavam metidinho pelo fato de não me aproximar, os dias foram passando e cada um deles foram ficando familiar para mim, principalmente de uma turminha, que me deixava um pouco assustado, após o expediente eles bebiam e às vezes escondidos de todos fumavam maconha, usavam e abusavam do maldito cigarro, entre eles o mais louco era o Gilsom, seus olhos pareciam tocha de fogo, a expressão era de que ali existia uma guerra de conflitos, um olhar selvagem, e em sua companinha sempre estava o T.J., um garoto que sem ao menos perceber começou a me olhar diferente. Não gostava da forma pela qual eles se comportavam, e da estupidez e imbecilidade que o Gilsom agia, “O louco” era assim que alguns dos seus amigos o chamavam. O Gilsom parecia um garoto revoltado com a vida, algo o deixou dessa forma amargo e duro, dizem que e um rapaz inteligentíssimo e que tem a capacidade de criar coisas usando as próprias mãos, não simpatizou comigo e eu menos ainda, procurava confusão com alguns que não era da sua turma, eu que trabalhava no controle de qualidade e protegido pelo seu Beto, que por sua vez era chefe da turma, por isso ele mantinha uma certa distância. O T.J. às vezes reuniam a turma nas horas vagas, para mostrar truques com as mãos, faziam pequenos objetos desaparecer, a turma ficava impressionada. O Paulo e o primo do T.J. esse já era mais amigo e divertido.Em um galpão improvisado, todos dormiam em redes esteiras e colchonetes, estavam sendo feito alguns reparos no alojamento e só faltava um dia para que o chefe da obra terminasse, eram vários quartinhos com banheiros, e cada quarto ficarão 3 pessoas, depois do prazo terminado com as chaves na mão todos se organizavam, no dia seguinte as maquinas da fabrica começam a funcionar, seu Beto reunia toda a turma e com um relatório nas mãos ele lia os nomes e seus respectivos cargos. Diurna e noturna, fiquei escalado para trabalhar no cargo da noite, e em minha função existia dois cargo, o Ginaldo comandava o outro durante o dia, era um cara de poucas amizades, apenas acenava a cabeça ao cumprimentar, ao meu ver não parecia ser uma boa pessoa, tentou logo de imediato se aproximar e fazer amizade com o secretario da fazenda, na intenção de cargos melhores.Esse se chamava César um rapaz atencioso, educado, bonito e com um físico de fazer inveja, ele e o braço direito do fazendeiro William, uns dos mais ricos da região, um alemão serio, pontualissimo em seus negócios e muito exigente, era assim que ele comandava todas as suas fazendas. O celular não pegava, estava sem sinal e o único telefone que tinha era restrito e exclusividade única do gerente, ficava em sua sala e o próprio fazia toda a negociação, ficava eu padecendo no coração do Tocantins onde rumores de gatos selvagens e cobras assombravam as nossas mentes, se precisassem de alguma coisa, cada um fazia uma lista individual de compras, e era trazida uma semana depois, ficava eu encarregado de fazer a distribuição das compras e fazer a notinha para cada um deles. O T.J. tentava uma aproximação amigável, ou talvez deixei escapar algo que despertou sua curiosidade, por que a forma que me olhava era intrigante e era o que chamava a atenção, seu olhar era penetrante, firme e continha uma certa dureza que excitava. Sempre que se aproximava para puxar um papo, eu saia de fininho, não queria aproximação nenhuma com ninguém daquela turma. Tínhamos o costume o costume de nos distraímos um pouco com domino, o Paulo neste dia pediu permissão para entrar na brincadeira, entusiasmados deixamos. Jogamos tanto neste dia que esquecemos do horário da janta, após a brincadeira fizemos um lanche rápido na cantina.O Paulo realmente parece ser uma ótima pessoa, acho que tinha a certeza de que ali começava uma grande amizade Depois de muitas conversas todos adormece, porem eu tinha dificuldades para dormir, minha cabeça vivia flutuando, pensava muito no Junior e em minha família. Quando o silencio caia, a solidão tomava conta do meu ser, um sentimento comum na vida de algumas pessoas, já tive momentos que me sentia sozinho em meio a tantas pessoas, mas não o conhecia tão cruel e tão forte, por via disso tinha vários sonhos à noite. texto
Escrito por Eddy Karter às 17h56
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